Carvalhos, 20 de Novembro de 2009
Passei por aqui só para te dizer olá, pois, estou quase a ir embora para uma festa, no Metalpoint, onde já não vou há algum tempo, e preciso de descarregar, sinto-me um pouco desconfortável, e tu sabes que adoro fazê-lo através da música. Até logo…
A tua amiga: Catarina
21 de Novembro de 2009
14:15h
Estou de viagem para Mogadouro, e acabei de me lembrar do André, peguei no telemóvel, para lhe mandar mensagem para combinar algo com ele, quando chegasse a Mogadouro, mas estava mesmo com sono, por causa da noite de ontem, foi mesmo, mesmo desgastante. Para além disso, o autocarro quase acabou de ter um acidente, travou repentinamente agora mesmo, e assustei-me. Pois, não passou de um susto e acabei de me lembrar que não tenho saldo no telemóvel, desde que o meu 93 caiu no Piolho, esqueço-me sempre de comprar um para falar com o pessoal que também é 93 e que tenho saudades, então não vou mandar, vou dormir um bocado, até já amiguinho ;)
Catarina
18:30h
Já cheguei a Mogadouro. Voltar a ver e abraçar os meus pais, que já não via nem abraçava à algum tempo, foi bom, foi muito bom.
Bem isto faz-me pensar, ter ido para os Carvalhos quando eu sempre fui muito ligada a eles e aos meus, poucos mas bons, amigos fez-me de certa forma crescer e ficar mais meiga, pois sempre que estou com eles, tento com que o pouco tempo que tenho seja bem passado, então acho que nem consigo ser distante como fui em tempos.
Estou disposta por estar com eles, acho que vou ligar ao Álvaro para combinar um passeio e assim combinamos já algo para a noite.
Adoro falar contigo mesmo estando muito cansada, eu sei que posso ter todo o tipo de conversas contigo, tu não me censuras e no entanto ajudas-me, porque um problema quando é partilhado, passa a ser bem mais pequeno.
Obrigada por isso e até amanhã
Catarina
Mogadouro, 22 de Novembro de 2009
Não consigo respirar, não consigo. Única coisa verdadeira que neste momento parte de mim para ti, são as lágrimas que me rasgam o rosto e se deitam no conforto destas páginas, e me estragam as palavras. Mas as palavras já estão estragadas, ou melhor, mortas.
Não consigo falar, e é por isso que não vou parar de escrever e libertar este forte e duro sentimento que me invade.
Ontem tive uma noite maravilhosa, tive um óptimo tempo passado com o meu amigo Álvaro, falámos, rimos, apanhámos grande sarda, e fomos sem dúvida os “reis da noite”. Estava mesmo a precisar deste tempo com ele.
Depois de uma óptima noite, esperava um óptimo dia, mas não, acordo com uma mensagem aterrorizadora, e logo depois um telefonema da minha melhor amiga a contar-me o que lhe tinha acontecido, eu não queria acreditar nem conseguia raciocinar direito. As palavras que estava a ouvir, entravam dentro de mim e cortavam-me cada fiozinho de felicidade que havia no meu coração. Uma forte dor no peito invadiu-me sem perguntar se me importava, ou se estava preparada para a receber e as lágrimas chegavam…
Não conseguia pensar e muito menos falar. Depois de desligar a chamada, veio tudo à cabeça, acerca do que tinha acontecido e em relação a todos os momentos que tinha passado com ele, e que já nada podia fazer para voltar a tê-los. Sim morreu a pessoa com quem mais precisava de falar neste mundo, e aquela com quem mais precisava de me libertar.
Preciso que vás ter com ele meu querido diário, que lhe digas e que lhe mostres que também gostava muito dele, sim gostava muito dele.
A todos aqueles que também gostavam, ou até mesmo aqueles quês estiveram a ler o meu diário, ou a ouvir esta história, fechem os olhos, mas fechem mesmo. E agora pensem naquela pessoa que vos enche a alma e o coração com palavras doces e especiais, naquela pessoa que quando olha para vocês, os olhos brilham, brilham tanto, que fazem os nossos brilharem também, pensem naquela pessoa, que é mais que um amigo(a), é um companheiro(a) para a vida, pensem na pessoa que vos acha perfeitos, pensem naquela pessoa, e talvez a única, que dava a vida por vocês. Agora pensem também que essa pessoa morreu, e que não lhe demonstraram o quanto gostavam dela, pois só estavam à espera do momento certo para lhe revelarem o vosso amor e deixarem de tapar os olhos negando esse sentimento.
Vivam sem medo, sem medo de mostrar aquilo que sentem seja a quem for e de que maneira for. É o melhor que podem fazer, porque não se devem arrepender daquilo que fizeram, mas sim do que não fizeram.
Eu estou arrependida, e acredita, que é uma dor tão forte, e que aperta tanto, tanto o coração… eu ainda sinto o toque das mãos dele, ainda sinto aqueles lábios, ainda vejo aqueles olhos azuis da cor do céu e do mar juntos a olharem para mim, como se não houvesse nada mais importante, ainda ouço as palavras ditas em baixinho junto do meu ouvido… ainda o sinto aqui….
Porquê?! Porque é que tem de ser assim?.... Só de pensar que se tivesse mandado a mensagem ele podia estar aqui.. Já sei que como eu, também podia tê-lo feito muita gente, mas não sei, não me sai da cabeça esta ideia…. Ajuda-me, ajuda-me a esquecer a dor…
“- André, estejas onde estiveres, quero que saibas que também gostava muito de ti, e vou gostar sempre. Desculpa nunca ter-te dito, às vezes temos medo de arriscar.”
Esta é a última vez que escrevo para ti amiguinho, pois não quero recordar o momento difícil que estou a passar apesar de ser impossível, neste momento, é o melhor que tenho a fazer. Vais ficar na última gaveta da minha secretária, fechado com um cadeado, e só te volto a abrir, quando a chuva parar de cair, e o sol voltar a brilhar.
A tua amiga:
Catarina
Joana Dagge*
eu depois mostro-te quem é:p
quero saber essas novidades todas, boas espero eu.
muitas saudades da minha prima Boazona;)
vamos dia 22 para cima.
beijoes grandes
adoro-te gatona:D